A Origem da Povoação
São feitas referências a S. João da Madeira em documentos de 1088, com a designação de “vila de S. João que dizem de Mateira”. Com o tempo, por adaptação fonética, o “t” mudou para “d” e a denominação da vila mudou para o nome actual.
Era um ponto de passagem da estrada romana que ligava Talóbriga a Lancóbriga, pela ituação geográfica privilegiada entre a Serra e o Mar.
Tendo na altura uma área muito semelhante à actual, a povoação foi doada por D. Afonso Henriques em 7 de Julho de 1131, por estar incluida no Couto de Cucujães, ao Mosteiro Beneditino.
Encontram-se referências a vendas de propriedades em torno da igreja de S. João em documentos do início do séc. XII.
Em Fevereiro de 1179 a Igreja de S. João e os terrenos circundantes são doados ao Mosteiro de S. Cristóvão de Rio Tinto.
Nas inquirições de D. Afonso III, em 1251, a “villa sancti Johanys” estava incluida na Terra de Santa Maria (Santa Maria da Feira). em 1311 passa a pertencer ao Padroado da Ordem Militar de Cristo.
A freguesia de S. João da Madeira foi incluida no foral atribuido por D. Manuel I à Vila da Feira em 10 de Novembro de 1514.
No séc. XVIII já aqui se fabricava chapéus. Em 1802, criou-se em S. João da Madeira uma fábrica de chapelaria. Foi a primeira de diversas fábricas que vieram entretanto a criar. Desenvolveu-se muito a indústria de chapelaria, seja de lã, de feltro, de palha ou de tela, mas também se fabrica sapatos e outros objectos de borracha, máquinas, vidros, tapetes.
Em 1809, durante a segunda invasão francesa comandada por Soult, um dos seus oficiais, o tenente-coronel Lameth, foi morto nesta freguesia. No dia 18 de Abril de 1809, como vingança, Soult mandou cercar a igreja local e sortear 1 em cada 5 dos presentes, que foram fuzilados no campo da Bussiqueira. Fala-se em cerca de 60, mas também se diz que foram mais de 300, incluindo mulheres e crianças. Estes ainda hoje são lembrados nas “Alminhas dos Fuzilados”.
A inauguração da linha de ferro do Vale do Vouga, em Novembro de 1908, entre Espinho e Oliveira de Azeméis, contribuiu para o desenvolvimento e prosperidade da vila.
Esteve integrada no concelho de Vila da Feira até 1801, em que passou a pertencer ao concelho de Oliveira de Azeméis. Foi elevada a vila em 18 de Julho de 1924, pelo presidente Óscar Carmona, e a sede de concelho em 11 de Outubro de 1926, sendo separado do concelho de Oliveira de Azeméis.
A crise provocada pela Segunda Guerra Mundial, fez decrescer o fabrico de chapéus e aumentar, por seu lado, o fabrico de calçado.
Foi elevada a cidade em 16 de Maio de 1984.
Actualmente, é um dos grandes centros industriais de Portugal, principalmente e nível de couro e calçado, têxteis, vestuário, madeiras e metalurgia. É também um dos concelhos com maior índice de rendimentos a nível nacional.